Poesias de 1 a 99

Poema #04: Sujeito Itinerário

Sentar-se à varanda e deliciar-se com as
passadas, dos sons da cidade,
com a corrente inóspita do tempo…

Ao silêncio de um lago turvo
que se desdobra,
sobre as luzes que escapam, e a vida que
existe…

como que o
mundo as retirasse de si.

E notar as ondas eternas das horas
que mergulham sob a vastidão
de um verso transitório,
entre aquilo que se é
e o que se fora.

Estou farto de uma existência
relapsa e
repentina; deste lampejo
imediato que submerge
e estilhaça
o vislumbre do agora,

que faz do movimento
um ressentido,
detrito sintático,
repleto de esquecimento.

Quero é olhar o nada e sentir preencher-me,
poder tocar em volta
e correr por sobre o vento,

e sem a permissão do dito tempo
arriscar-me a
pensar em tudo;
a habitar o espaço
de um momento.

É… é preciso de pouco nessa vida.
Ah, como preciso de tão pouco!
Mas, do que realmente preciso?

Não sei.
O jeito mesmo
é ir vivendo.

Pedro D’Ambrosio

Pedro D’Ambrosio é ítalo-brasileiro, artista independente e assistente jurídico, atualmente habitando o interior do norte fluminense (RJ). Escreve entre a inquietação do pensamento e a delicadeza da forma, explorando temas como linguagem, existência, silêncio e travessia. Seu trabalho se movimenta entre a filosofia, a poesia, a música e a arte como gesto. É Licenciando em Filosofia pela UNINTER e também Bacharelando em Direito pela Universidade Candido Mendes, mas é no espaço sensível das ideias e das criações que constrói sua estrada. Fala inglês e italiano, e além da escrita, encontra nas viagens e no montanhismo experiências de escuta e abertura ao mundo.

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